Antigamente o trabalho era a apenas uma questão de sobrevivência, ou seja, trabalhava-se para conseguir comprar alimentos e outros bens de consumo. Hoje o trabalho passou a ser questão de status social, além de cada vez mais consumir nosso dia-a-dia. Antigamente quando não havia energia elétrica era declarado como aceitável um ser humano dormir 10 horas ao dia. Hoje, é aceitável que se durma 8 horas e quem realmente consegue com o dia tão corrido? Será que realmente nosso organismo mudou ou mudou-se o nível de exigência que se faz a ele?
Vejo as mães tão cedo preocupando-se com o futuro profissional dos filhos. A criança mal sabe escrever, porém já está no curso de inglês. É curso é inglês, música, espanhol, informática e as crianças mal tem tempo de brincar. Existe tanta preocupação dos pais quando o assunto é educar profissionalmente os filhos que os pais esquecem de ensinar o filho a ser um ser humano preparado para viver em sociedade. Hoje, quem sente esse peso são os educadores.
Os pais que tem pouco tempo para ficar com os filhos por causa do trabalho, deixam a responsabilidade da educação fundamental para os professores e babás, porém esta não é a responsabilidade deles. Esse tipo de educação só se pode adquirir em um único lugar: em casa.
Os valores familiares estão sendo esquecidos aos poucos. A família já não tem mais importância como tem o trabalho. Ao chegar em casa depois de um dia inteiro de trabalho e estudos (para buscar uma prospecção profissional) cada membro da família vai para seu quarto onde possui sua televisão e seu computador. Cada membro leva uma vida completamente independente e com o tempo as pessoas passam apenas a dividir o mesmo teto, às vezes a mesma cama porém de fato não se conhecem.
Estamos caminhando para uma sociedade cada vez mais individual com um grande crescimento no número de pessoas solteiras convictas ou pessoas divorciadas. Cada vez mais as pessoas não acreditam no casamento.
E tudo isso reflete na educação de nossos jovens que cada vez está mais abalada. Vemos jovens agredindo idosos, não respeitando os limites e acreditando ser os donos do mundo. Isso é reflexo da ausência dos pais e de uma educação firme apoiada nos valores básicos e essenciais para qualquer ser humano.
Vivemos dentro de um sistema que cada vez nos exige mais. Hoje, vivemos numa rotina incansável de correr atrás do próprio rabo onde todos os dias temos que acordar cedo e chegamos exautos em casa para dormir e acordar no dia seguinte para recomeçar tudo denovo. Alimentamos esse sistema da qual nos suga a vida.
Hoje, quem está na praça tomando um sorvete é tachado de “vagabundo”. Quem está dentro de um terno sob um calor infernal é tachado de “importante”. Conheço várias pessoas que dizem com orgulho que trabalham 12 horas por dia e se sentem importantes para uma empresa. Quem é que se sente orgulhoso de somente ser importante para alguém? Ou quem se importa realmente com a pessoa sem si? O que importa é o que ela trabalha ou que ela tem.
Você quem decide. Continuar vivendo dentro dessa “Matrix” ou apenas viver. Sim, viver não é ficar trancado 12 horas no escritório. Já parou para pensar que assim você vai conviver mais com as pessoas que você trabalha do que com aquelas que você realmente ama? Dê valor as coisas simples. Passe mais tempo “não fazendo nada”. Tome seu sorvete na praça à tarde, afinal de contas o único aprendizado que você levará daqui não é sua faculdade ou seu curso de inglês, mas certamente seu conhecimento espiritual, seu conhecimento sobre a vida.


1 comentários:
muito bom o texto, evidencia claramente a vida da sociedade com a qual estamos hoje. O estatus de poder se torna mais importante do que um dia com os filhos .
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